PAPO DE MÚSICA EM LANÇAMENTO DE LIVROS PEGOU MAL –

O encontro de Nelson Motta e Ruy Castro na Bienal do Livro de Campos/RJ, ontem (06/11) deixou a desejar. A grande estrela do bate-papo foi o apresentador, jornalista Chico de Aguiar, que palestrou, cantou e roubou a cena, enquanto Nelsinho Motta parecia estar num estúdio, disposto a conquistar audiência pela eterna forma de se fazer televisão em todo mundo:  criar ilusão. Em oposição, vimos um Ruy Castro real, iracundo até,  irradiando inteligência sem a preocupação de ser politicamente correto em matéria de imagem e som.

O mediador, cantando semitonado "De 0nde vens", arrancou aplausos da platéia

Foi uma aula de opostos, mas nem o mediador nem o publico soube aproveitar. De um lado, o maior biógrafo do Brasil, Ruy Castro  dizendo  só faz biografia de quem é celebridade e tem história pra ser contada; de outro, o jornalista que mais escreveu falou, escreveu e produziu música.  Motta, que faz romances biográficos sem compromisso com a realidade e Ruy,  que não admite desviar um milésimo da verdade.

A linguagem televisiva de Nelsinho , porém, não ganhou mais aplausos do que o mediador cantando desafinado “De onde vens”,  música em sol menor do Nelson ali presente em parceria com Caymmi e que Elis Regina eternizou. De nada adiantou o Nelsinho pedir, no início de sua fala, que não pretendia falar de música. Deu-se o oposto. Mais um.

Como se tratava de uma feira de livros (e livros caros em relação ao mercado) , contava que a palestra focasse as obras e personagens de Nelson, de vez que Ruy estava fazendo hora-extra, tendo participado de um painel ali mesmo horas antes. Quisera ter tipo tempo para perguntar sobre uma família muito louca, em que a filha virou cafetina que fundou um bordel para contrariar o pai;  se a mulher que largou o marido para “consolar” o viúvo de sua finada filha  e se o filho que é produtor de filme pornô em “Força Estranha” de fato existiram e quem são eles. Quem sabe ali, em petit comité, ele deixasse escapar.

Como a palestra convergiu  para música (Papo de música é música, sempre), eu  acho que Chico de Aguiar fez certo, apesar do ridículo de cantar desafinado diante do autor engessado ali.

Já Ruy Castro foi o oposto.  Não se preocupou com a imagem, aquilo de olho no olho, de   tudo certinho, sem close frontal, sem ligar se vai limar a fita. A plateia saiu de lá com exata noção de como se faz e quem merece um livro biográfico, do princípio, meio e fim.

Anúncios