Emissora faz da tragédia de Realengo um romance barato e nojento –

A Rede Globo rompeu de vez com a responsabilidade social nas coberturas jornalísticas.  Quando não peca pela omissão que beneficia governantes corruptos, erra por excesso de irresponsabilidade, como no caso da tragédia da Escola Tasso da Silveira, que vitimou 12 criancinhas. Nenhuma notícia sobre providências para evitar a repetição daquele tresloucado gesto. Nenhuma matéria fraternal, educativa. Muito pelo contrário, o que a Globo faz é expor crianças narrando detalhes de uma tragédia que a TV Globo começa a romancear. Um romance de péssima qualidade, diga-se de passagem, um flagrante desrespeito às famílias das vítimas.

Quem não mora no Rio (e não assiste ao RJTV), está livre dessa saraivada de tapas na cara que recebemos todos os dias, com exposição de crianças, professores e funcionários, além de pais e mães chorando, falando absurdos (teve um pai que disse ter conversado com Deus, que lhe garantiu “ela está comigo”). A última aberração é exibir vídeos do serial killer, num glamour sem razão de ser. A Rede Globo ofende a todos mostrando o matador falando para uma câmera, como se fosse um galã. A quem interessa essa exibição? Qual seu valor para a sociedade? No que pode traduzir de positivo a não ser estimular uns poucos de mente igualmente fraca?. Essa exposição toda, essa cobertura toda, certamente, está a encantar outros paranóicos. A Globo está ensinando como se planeja um crime dessa grandeza, contra criancinhas, não respeita a ética e muito menos o compromisso social que deveria preservar. Assim como estimula os tarados a estuprar crianças de pouca idade, na medida em que noticia essas aberrações e “a criança não morre”, “agüenta”, estimula tarados enrustidos a agir e violentar mais e mais crianças. Agora, é a vez de estimular matanças, intolerância de toda sorte, como o vandalismo contra uma irmã do maluco de Realengo. Faz tempo que a Rede Globo, na falta do que fazer, amordaçada pelas conveniências políticas e econômicas, mira nos setores mais miseráveis da sociedade, favelados, moradores de rua, prefeitos que não dão dinheiro aos seus veículos e infelizes como pais e mães das vítimas de tragédias. A bola da vez é a de Realengo, e a Globo parece querer que se espalhe seu rasto pelo país para que possa fazer coberturas e mais coberturas romanceadas, pois seu universo de informações plausíveis está cada vez menor.

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