ELIAS MALUCO FOI APENAS O AGENTE DE UMA MORTE PREVISIVEL

Mandar Tim Lopes para aquele vespeiro da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, foi o primeiro tiro disparado contra a vida de Tim Lopes. Elias Maluco apenas completou o serviço. Num território dominado pelo narcotráfico, onde a lei e a ordem só entraram,  recentemente,em tanques de guerra, apoiados por uma infantaria de centenas de policiais civis, militares super-ultra-bem preparados, em contar, tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica, a Rede Globo mandou Tim Lopes de peito aberto para lá. Lembrei de voltar a esse assunto depois da repercussão no tópico anterior.

Tim Lopes

Trabalhei com Tim e seu cabelo  black power no Globo, no inicio dos anos 1980. Repórter malandro e esperto, cheio de estilo. Jamais toparia uma roubada daquela sem protestar. Até parece que o estou vendo objetando, dizendo que sua cara estava muito manjada por conta das exposições que a Globo fez dele quando ganhou o Prêmio Esso (nunca vi disso, jornalista investigador ser exposto pra todo mundo conhecer, ficar ligado e se prevenir). Não faço idéia do que possa tê-lo convencido a aceitar ser jogado às feras. Dinheiro é que não foi.

Quem não se lembra do bordão “Globo, responsabilidade social você vê por aqui”? Vê nada!

De tanto repetir essa mentira, o jornalismo global acha  que é responsável e promove o bem da sociedade. Pior: a qualquer custo. Qualquer custo mesmo! E custou a vida de Tim.

Habituada a blindar políticos e corruptos, daquela vez a rede teve que agir em causa própria. E atirou pra todos os lados, menos no próprio pé, sempre exposto e pedindo, exigindo “Fui eu, atira em mim”. A Globo pecou mais do que Elias Maluco e seu bando. Da Globo, esperava-se um ação preventiva, que não expusesse a vida de seus profissionais. De Elias Maluco e  seu também só esperavamos o que fez. Era o que melhor sabia, era seu hábito, torturar e matar, queimar e esconder corpos.

A Globo promoveu uma campanha cerrada contra Elias Maluco, as autoridades policiais, o mendigo da esquina (aliás, como essa rede fuxica moradores de rua e favelados!), menos ela própria. E as demais redes, os jornais, ninguém, rigorosamente ninguém, teve peito para incluir a Rede Globo no topo da lista dos matadores. A morte  de Tim não foi um acidente de trabalho. Foi adredemente  pensado, a Globo sabia dos riscos.

A imposição global tem testemunha, hoje ultrajada, desempregada, desmoralizada por coleguinhas venais (é o que mais tem nas redações,  puxa-saco, aduladores de chefes e lambe-botas). Trata-se da jornalista Cristina Guimarães (não a conheço), que um ano antes da execução de Tim o ajudou a produzir outra reportagem parecida e que lhe valeu o Premio Esso sobre a feira do pó.

Cristina diz que os dois foram obrigados a enfrentar o perigo. Desde que se dispôs a depor contra a Globo, a moça não encontrou mais trabalho, dizem que mudou de nome, de cidade e até de país. Para não morrer. A quem interessa a morte de Cristina Guimarães? Quem se beneficia com ela?

Toda verdade está contada em resumo num livrinho “Dossiê Tim Lopes – Fantástico/Ibope”, do repórter Mário Augusto Jakobskind, que custa cerca de 10 reais.

Leiam e tirem suas conclusões.

 

 

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