Quando um governante precisa apelar para um Decreto e pedir à sua equipe de governo que economize, alguma coisa tem…

Quando o Decreto estabelece um limite de 10% para se economizar, soa como deboche, coisa digna dum  Odorico Paraguaçu. Seria cômico, se não fosse trágico o precedente criado por Dona Rosinha Garotinho, prefeita de Campos dos Goytacazes/RJ, ao baixar o Decreto 454/2011, já batizado de “Grajaú-Leblon”., numa referência a uma linha de ônibus da capital.

Em quem a prefeita quer dar o calote?

Economizar tem que ser um costume, tem que ser a regra, não a exceção.

Por que limitar a 10% a economia a ser feita? Por que não ao máximo, 100%, que era de se esperar que pedisse. Para mim, é o mesmo que pedir aos auxiliares que sejam honestos, que tenham moral, que tratem de economizar, limitado a 10%.

O “Grajaú-Lebon” é um soco na cara dos campistas, de todos nós. A uma, pelas contradições explícitas, pois economizar é sempre a palavra de ordem quando se trata de dinheiro público.

Ninguém perde o que não tem, assim como ninguém dá o que não pode.

Se a prefeita vê necessidade de obrigar sua equipe a fazer economia, cortar gastos, ela mesma reconhece que houve excesso, que não deu ao dinheiro público o cuidado que deveria ter.

O que significa esse Decreto, um calote de 10%? E os contratos firmados, os compromissos assumidos?

O que mais intriga são os “considerandos” do Decreto “Grajaú-Leblon”, qual seja a crise mundial, queda na receita com o petróleo da Bacia de Campos.

Mentira. A receita com o petróleo nunca esteve tão bem. Por baixo desse angu tem caroço…

ao mesmo tempo em que S. Exª a prefeita baixava o Decreto 454), recebi mensagens da Petrobrás com as seguintes informações:

– o Lucro da Petrobrás subiu 37%;

– a produção de petróleo aumentou 2,2% e a de gás 6,9%;

– que entraram em fase de produção mais dois campos (os de Aruanã e Brava), justamente na Bacia de Campos;

– que a Petrobrás colocou em operação a  a plataforma semissubmersível P-56, no campo de Marlim Sul,no dia 15/8;

– a agência de risco Mooody’s (a mesma que anda rebaixando países por ai) reconhece a melhora do risco da Petrobrás em moeda estrangeita de Bas1 para A3;

E mais:

– A ANP revela que os produtores privados já produzem 200 mil barris/dia;

– está a caminho (saiu hoje de Cingapure), a superplataforma de Eike Batista, a FSPO-OSX 1, que  chegará a Campos dentro de 38 dias para começar a produzir imediatamente;

– até julho, a Prefeitura de Campos já havia recebido R$ 566,8 milhões entre royalties e participações, indicando que já superou em mais da metade do arrecadado em 2010, representando um aumento de quase 10% só no primeiro semestre.

O que não dá para entender é que tudo indica que a receita de Campos com o petróleo deverá ficar bem próxima de 2008, quando teve seu melhor momento, beirando os R$ 1 bilhão 200 milhões.

De que (ou quem?) a prefeita tem medo?

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