AÇÃO RÁPIDA EVITOU QUE A TRAGÉDIA FOSSE PIOR

ITAIPUAÇU

Conjunto ficou debaixo d’água (foto da internet

Depois de passar a última madrugada acompanhando com o secretariado os efeitos das chuvas em Maricá, o prefeito Washington Quaquá determinou na manhã desta terça-feira (01/03) a abertura do canal da Barra, permitindo o alívio do excesso de volume de água nas lagoas. A operação foi iniciada logo cedo, com três retroescavadeiras e um trator de esteiras abrindo a passagem a partir do canal que passa sob a ponte da Barra. O prefeito decidiu pela abertura unilateral – já que a decisão cabe normalmente ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e este até então não havia se pronunciado apesar da gravidade da situação – quando a régua de medição no espelho d’água que fica na Divinéia bateu a marca de 65cm, 5cm acima do limite estabelecido pelo órgão estadual. Ainda durante a manhã, o nível continuou subindo e, por volta das 13h marcava  Durante a manhã o nível subiu ainda mais e, às 13 horas, chegou a 70cm.

A decisão pela abertura foi tomada ainda na noite de segunda-feira (29/02), quando já se contabilizavam os estragos causados pela forte chuva que atingiu toda a região metropolitana do Rio. O índice pluviométrico registrado em Itaipuaçu, bairro mais atingido na cidade, bateu a marca de 170mm, considerado de intensidade máxima. O número de desabrigados chegou a 650, a maioria moradores do residencial  Carlos Marighella (Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ no bairro). Com o excesso de água sem poder escoar, toda a área do condomínio foi progressivamente ficando alagada. As máquinas trabalharam durante toda a tarde e o serviço continuará durante a madrugada, até que o canal seja finalmente aberto.

Os moradores perderam quase tudo o que tinham, mas a Prefeitura ofereceu ajuda.  “Vou enviar uma mensagem à Câmara Municipal para que façamos a compra emergencial de móveis e utensílios para essas famílias. Também vamos desapropriar o terreno próximo ao condomínio e ali construir um piscinão para escoar o acúmulo de água que se forma no entorno”, antecipou o prefeito, que cobrou de representantes do Inea providências para a limpeza dos rios e córregos da cidade. O superintendente do órgão para a região da Baía de Guanabara, Paulo Cunha, alegou que seria preciso cumprir um rito burocrático para o início desses trabalhos – apesar da urgência da situação. Na conversa com Quaquá, Cunha afirmou que a abertura do canal foi autorizada pelo Inea.

No dia 29 de janeiro, foi iniciado um trabalho preventivo para possibilitar a eventual abertura de um canal ligando o mar à lagoa, na altura da ponte da Barra de Maricá. Homens e máquinas começaram a nivelar o trecho de areia até uma altura de dois metros do nível de água da lagoa. Na ocasião ficou acertado que, em caso de uma subida repentina em razão de chuva forte, o trecho seria aberto para o escoamento do fluxo, o que ocorreria somente se a altura da lâmina d’água ficasse entre 50 e 60 centímetros. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) condicionou, no entanto, a abertura a um processo burocrático cuja duração seria maior do que a urgência da situação após as chuvas. A decisão unilateral de abrir o canal – o que não acontecia desde 2010 – decorreu desse quadro.