Empresário é vítima de extorsão como um comerciante qualquer, na base do “ou dá, ou desce”

 

Ele é meu amigo

jacozinho
Jacozinho traabalha muito para compensar as perdas para politicos corruptos(foto da internet)\\

Sempre fui amigo de Jacozinho Barata, ora preso na Lava Jato.

A amizade quando é verdadeira não cessa, nem pelos anos e nem pela distância.  Amizade é feito o amor. Quando termina é por que nunca existiu de verdade.

Participei com ele de bons momentos, tomamos homéricos porres regados a rã frita no Bar Municipal. Ele sempre foi rico e eu pobre, mas tudo fez para que eu tivesse progresso material, no início dos anos 80, quando adquiriu a Viação Pendotiba. Recentemente, comprou a Viação Araçatuba quando já não nos víamos acerca de 30 anos. Um  dia não teve mais tempo para nossas estrepolias da madureza, Eu também já não tinha tempo para ele. Mas a amizade nunca  acabou e é testada agora..

E não há hora melhor para se revelar uma amizade senão na hora da dor, no revés.

Jacozinho Barata não é o bicho que pintam. Está longe de ser o quadrilheiro em que foi transformado. A atividade dos ônibus é antiga e apenas uma entre outras que desenvolve, como a de banqueiro (dono do Banco Guanabara), da Guanabara Diesel maior revenda d Mercedes do mundo e plantador de soja e bois nas fazendas do Mato Grosso.

Meu amigo não é bandido. Ele é tão vítima do sistema quanto seu Manoel de padaria, achacado por agentes corruptos que além da extorsão comem e bebe de graça.

Meu amigo não é de sair por aí oferecendo dinheiro (pelo menos não era), como bom judeu. Ele é culpado por ser rico, nascer em berço de ouro, coisa sempre intolerável no Brasil. Poderia ter quebrado as empresas de família como outros playboys, feito Chiquinho Scarpa, Jorginho Guinle e outros mais do nosso tempo. Mas trabalhou, e muito, a ponto de não ter mais tempo pros amigos. Quantas vezes viajamos para o Mato Grosso só para estar um com o outro! Mas não tivemos mais tempo à medida que assumíamos funções mais complexas.

Dói assisir que as pessoas não  vejam Jacozinho como um comerciante igualmente extorquido como é praxe no Brasil. Desde cedo ele cedia à ganância dos políticos, pois não suportava a política do “ou dá ou desce” dos políticos.

Na atividade empresarial a extorsão entra nos custos de produção. No caso dos ônibus, governadores, deputados, prefeitos, vereadores e o diabo a quatro exigem propina, sob pena de liquidarem a empresa. Nada diferente do que policiais fazem com traficantes e os fiscais com os empresários.

Meu amigo Jacozinho nunca aumentou passagem de ônibus, os reajustes eram concedidos desde que os empresários pagassem caro por isso. Uma espécie de sequestro por engravatados.

Quem, que anda de ônibus, pode dizer que os carros da Pendotiba, Araçatuba, Braso Lisboa, Pégassus, Normandy, Alpha  e outras tantas sejam o lixo que as reportagens mostram? Jacozinho é um empresário sempre acima do seu tempo, não faz distinção entre clientes, seja ele passageiro de ônibus ou investidor de valores, são igualmente seu maior patrimônio.

O que mais tem é empresário de ônibus que não presta. Jacozinho não está nessa. É vítima de um sistema de corrupção republicana, que se pratica de norte a sul do pais para obtenção de vantagens. O empresário é tão-somente o otário do jogo, a quem só restam duas opções: ceder ou ceder.

A ganância dos políticos sobre os empresários de ônibus não difere dos estupros que se praticam.

Jacozinho não pagou propina por vocação, foi por pressão mesmo. E se o conheço bem, deve ter resistido o bastante.

Se alguém deixar de ser meu amigo só porque estou defendendo Jacozinho Barata é porque, em verdade, nunca foi meu amigo, senão compreenderia o dever dos amigos.

Eu só posso contribuir com minha moral e as letras. É o que tenho para dar a esse amigo.

Força e coragem, Jacozinho. Mesmo tendo isso tudo de sobra, vai precisar de mais. Nada é eterno, meu amigo. Chegará o dia que vamos rir dos reveses. Quem sabe bendo e comendo rãs e carnes exóticas numa esquina qualquer.

 

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