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Curioso!
É só chegar perto do Carnaval que a Policia faz investidas na sede da Liga das Escolas de Samba. Todos os anos é a mesma coisa, sempre às vésperas de carnaval, indicando que a pretensão é mesmo criar dificuldades para os dirigentes.
Até os acusados já sabem que “lá vem bomba” nessa época. Por que isso? Para garantir alguns camarotes, frisas, ingressos de graça? Nao dá para pensar diferente, pois a pressão dura poucos dias e os resultados, nesses anos todos, nunca é divulgado.

anisio
guimaraesAnísio (E) está “preso” em casa e Guimarães (direita) não encontrado e nem sabe do que é acusado

Fica enlameada a honra de dirigentes, funcionários e prestadores de serviço à Liesa. Mas a Policia não parece preocupada se vai macular pessoas de bem. Cria um ambiente e bota todo mundo na roda.Tá pegando mal. Os magistrados já deveriam desconfiar e não sair por ai condedendo mandados de busca e apreensão para devassas sem sentido. A menos que também tenham seus interesses, pois nada justifica. Todos os anos os mesmos personagens, Chega ser risível.
Não sou eu quem acusa policiais e magistrados, mas, sim, a Juiza da 6ª Vara Criminal Federal, Ana Paula de Carvalho.

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Desencarcou o maior show-man do Brasil, meu irmão camarada Dicró, apelido resultando das iniciais  do nome Carlos Roberto de Oliveira, antecedido da proposição “de”, nos selos dos discos de vinil onde estava grafado: composição –  De CRO. Com a pronuncia carioca Di CRO até virar Dicró.

Dicro

Em sua Praia de Ramos, Dicro reinava com alegria e bom humor

Éramos amigos e solidários até na doenças, o diabetes. Ele quis fazer de mim seu empresário, mas eu não dava para o negócio

– É pra te ajudar, tu leva 20% no mole e eu não vou ser roubado por Filho da (piiiiii) nenhum.

Não sei pastar, respondi, andar por ai de pasta na mão. E não falamos mais disso. Ficou mesmo com dona Madalena (ou terá sido Iracema), de que viria a se separar mais tarde.

Este é um dia triste para mim e meus filhos, especialmente David Tadeu, que me acordou  para lamentar:

– Dicró morreu e eu nunca assisti a um show dele – fazendo idéia do que perdeu.

Perdemos. Nascido e criado na Favela da Jacutinga, na Baixada Fluminense, Dicró foi tudo na vida, autodidata até virar um artista completo.

Dicro seria contratado para o Zorra Total. Demoraram muito.,

– Desce ai, cambada, vociferou para seus músicos e mulatas no dia que ia para um show no interior e deu uma passadinha lá em cada. Tem uma feijoada doida aqui.

Nem tava pronta e atacaram a feijoada incompleta, não sobrou nada. Deram uma de mosquito, comeram e voaram para a estrada. Dicro sempre ameaçava voltar, eu mudei e ele não concretizou a ameaça à dona Gigi, sua vítima.

Nessa hora de dor, vem à lembrança as alegrias que me deu. Era um magnífico terrorista cultural, enfrentando o famigerado Ecad e as multinacionais da música.

Em seus shows, cantava o hino de todos os clubes. Quando chegava a hora do Flamengo, fazia de conta que nem existia, que já tinha cantado, enquanto a platéia clamava “Mengão, Mengão”. Dicró estufava seu coração vascaíno:

– Isso não é time, isso eu não canto – até ser interrompido por um dos músicos berrando “uma vez Flamengo…”

Ameaçava demitir, mandava parar e ninguém obedecia. Até os adversário do Mengão se esgoelavam “Flamengo sempre eu hei de ser…”, mais parecendo desfile do Monobloco, até ele botar ordem na casa.

Não perdia o pique nem o carisma e ainda me botava no fogo

– Meu amigo Paulo Freitas me revelou que essa cidade é uma maravilha, pois ele garante aqui não tem corno.

O público irrompia em desacordo, apontando uns aos outros  como galhudo ou gritando o nome do corno mais afamado. Depois, ainda fazendo referencia a mim, dizia: “já que tem tanto corno assim, Freitas, qual é?” E ele mesmo se encarregava de inventar outra.

– Eu fiz confusão, ele disse que aqui não tem bicha, sapatão e puta, então, nem pensar..

O mundo vinha abaixo com o berreiro. Nossa, parecia estar em Gomorra. O povo parecia se orgulhar da má-fama

Dominava a platéia, que, subjugada, fazia tudo o que ele queria.

A última que soube dele foi que teve que arrancar uma parte da perna ou do pé por conta do diabetes. Mas não deixava os shows nem a malvada da cachaça.

Pagou caro e nos privou de sua alegria.

Fosse eu materialista, diria que tem dedo do Chico Anisyo nessa desencarnação. Chico foi um dos poucos a reconhecer que Dicró era único e disparado o melhor show-man do planeta. E Dicró o amava muito. A morte de Chico afetou demais Dicró.

Estou ficando mais órfão a cada dia.

Que as forças superiores deem esclarecimento ao nosso espírito, que ele tenha consciência de seus erros, a fim de evita-los e nos fortalecer para praticar o bem. Assim, irradiamos ao Grande Foco, Vida do Universo, para que a luz se faça em nosso espírito. Ao Astral Superior e ao Dicró.